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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

MEMÓRIA DO JN - Os Postais do Concelho (I)

Presença obrigatória quase desde o primeiro número do "Jornal de Nisa", os Postais do Concelho foram um caso de popularidade. Uma foto, a princípio de elementos do nosso património monumental e paisagístico, mais tarde de pessoas e acontecimentos, certo é que os Postais do Concelho despertavam interesse e curiosidade. Por aqui irão "desfilar" muitos desses Postais, sem pretensão de ordem cronológica e temporal. 
A foto diz tudo. A festa, alegria, a celebração pela conquista do título de campeão nacional de futebol. Este ano o país "vestiu-se" de vermelho e Nisa não foi excepção. Tudo decorreu em ambiente de franco desportivismo. Hoje ganham uns, amanhã, outros. O desporto só o é verdadeiramente quando dirigentes, atletas e adeptos se respeitam. A festa aconteceu e tomou conta das ruas. Foi bonito de ver.
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 "Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia." - Vinícius de Moraes
Caia bem esta parede
Dá-lhe mais uma demão
Tem cuidado não caia
Alguma pinga no chão
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A rua já não tem ferro nem ferreiros: fugiu-lhe a vida, o colorido das flores, a brancura das casas.
Resta-lhe o nome e a memória assente na calçada de granito. As pessoas que ali nasceram e viveram também partiram, cumprido que foi o seu percurso terreno.
Ruas de Nisa, espaços de memórias e afectos que o tempo vai corroendo. Inexoravelmente...
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Num banco do jardim público, ainda sem as obras "requalificadoras", os dois irmãos olham o fotógrafo, com a tranquilidade de quem enfrentou os desafios de toda uma vida.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

MEMÓRIA(S): Notícias, curiosidades, opiniões

De Janeiro de 1998 a Outubro de 2008, o "Jornal de Nisa" publicou milhares de textos, uns noticiosos, outros de opinião, muitos outros ainda sobre histórias e memórias do concelho.
São algumas dessas Memórias que aqui iremos recordar.

 Uma abóbora gigante em Amieira do Tejo, era notícia na edição de 4 de Março de 1998 do Jornal de Nisa e fazia as "delícias" do nosso colaborador, Jorge Pires.
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 OPINIÃO: Temas e problemas
A Humanização dos Serviços de Saúde, ou a Falta Dela (21/8/07)
- David José Nunes Esteves *
Frente ao acelerado processo de desenvolvimento tecnológico na área da Saúde, a singularidade do doente – sentimentos, crenças e valores – ficou para segundo plano. A doença passou então a ser objecto do saber reconhecido cientificamente e a assistência médica muitas vezes tem vindo a desumanizar-se.
Por outro lado, é importante referir que muitos dos problemas dos doentes podem ser resolvidos ou atenuados, quando se sentem compreendidos e respeitados pelos profissionais. A falta de acolhimento e de continência no que respeita a aspectos emocionais, pode conduzir ao abandono ou à rejeição do tratamento e favorecer a busca de caminhos sociais alternativos, que ofereçam maior receptividade e compreensão. A relação profissional-doente tem especial importância no processo de adesão ao tratamento.
A Humanização dos Serviços de Saúde é um processo amplo e complexo, ao qual se oferecem resistências, pois envolve mudanças de comportamento, que sempre despertam receio e medo. A Humanização, ou a falta dela, nas relações dos Serviços de Saúde passa, de facto, também, pela questão do mau estado das instalações e obsolescência de alguns equipamentos.
Contudo, apesar de o nosso Centro de Saúde de Nisa estar sedeado num edifício antigo, a falta de condições não se coloca. Para isso, muito contribuiu o trabalho desenvolvido pela Liga dos Amigos do Centro de Saúde de Nisa. Mas, será que valeu mesmo a pena este trabalho todo quando se fala no fecho do internamento e da construção de um novo Centro de Saúde? Certamente que todo esse esforço não foi em vão e muita gente já beneficiou e continua a beneficiar com o que a Liga dos Amigos do Centro de Saúde já fez pela nossa comunidade e por a humanização dos serviços de saúde.
Uma relação humanizada engloba, sem qualquer dúvida, um conjunto de componentes que vão desde a acessibilidade, ao atendimento humano, às condições físicas dos espaços onde se aguarda e se é atendido, aos equipamentos, ao acesso a todos os meios disponíveis, etc. Uma verdadeira humanização dos serviços de saúde passa por um atendimento permanente que não se coloca dentro de horário de uma autarquia, de uma repartição de finanças ou até mesmo de um cartório. Mas neste caso, a “humanização” tinha que partir de quem “tem o poder”, de quem é eleito para nos representar e da própria sociedade civil, que no que respeita à “luta por direitos” tem deixado muito a desejar.
A Humanização dos Serviços de Saúde passa também pela criação de um “clima facilitador” de relações. Estou a referir-me concretamente à criação de boas condições de trabalho a todos os que dentro dos serviços de saúde exercem a sua actividade. Também aqui, a situação não parece simples. Não basta melhorar os equipamentos ou fazê-los surgir, é necessário implementar uma nova política de conduta que combata os hábitos enraizados e que, em muitos casos, são verdadeiros entraves às mudanças. Mas parece-se que isto terá de ser feito de uma forma inclusiva e não hostil, terá de ser dinamizado por pessoas que reconhecidamente têm capacidade para o fazer. Não me parece de todo que isso esteja a ser conseguido por todo o nosso país.
Haverá sem dúvida muito profissionais na área da saúde com um comportamento ético duvidoso, há gente assim em todas as áreas profissionais. Há também influencias culturais, nomeadamente, a alteração de valores a que todos estamos sujeitos e às quais ninguém é imune. A valorização das aparências e dos bens materiais em detrimento de mais relacionados com as nossas necessidades básicas, enquanto seres humanos atravessam toda a nossa sociedade, não é exclusivamente dos profissionais da área da saúde e assume a sua principal expressão na privatização dos sistemas de solidariedade social.
Em jeito de conclusão, apraz-me dizer que é necessário dar as mãos. As Unidades de Saúde e Instituições Particulares de Solidariedade Social que têm actuado na área da saúde devem ser capazes de assumir compromissos e de serem ao mesmo tempo actuais e inovadoras, colocando sempre o doente em primeiro lugar. É urgente melhorar a qualidade e a eficácia da atenção dispensada aos doentes; recuperar a imagem das unidades de saúde junto da comunidade; capacitar os profissionais da área da saúde para um conceito de atenção à saúde, baseado na valorização da vida humana e da cidadania; conceber e implantar novas iniciativas de humanização beneficiando tantos os doentes como os profissionais de saúde; estimular a realização de parcerias e trocas de conhecimentos; e desenvolver um conjunto de indicadores de resultados e sistemas de incentivos ao tratamento humanizado.
* Finalista do Curso de Serviço Social
Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa
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Passeio TT dos Bombeiros de Nisa
UM ÊXITO EM TODA A LINHA
Constituiu um assinalável êxito, o 1º Passeio TT, destinado a motos e moto 4, organizado pela secção desportiva dos Bombeiros Voluntários de Nisa e que decorreu no passado dia 2, sábado.


A animação começou bem cedo junto ao local de concentração, no pavilhão da Junta de Freguesia do Espírito Santo. Foi aqui que os cerca de 50 participantes, tomaram o pequeno-almoço e ouviram os responsáveis pela organização que traçaram os objectivos para este primeiro passeio e fizeram as recomendações da ordem para que tudo corresse pelo melhor.
E, efectivamente, assim sucedeu, os amantes de todo o terreno, tiveram um dia e paisagens magníficas para percorrerem os principais trilhos do concelho, conhecer gentes e lugares, conviver, saborear a típica gastronomia norte-alentejana, num ambiente de camaradagem que apraz registar.Após o passeio teve lugar o almoço convívio, com comes e bebes, animação que se prolongou pela tarde fora.
Foi, pois, uma iniciativa merecedora dos maiores encómios, a justificar outras edições. Apenas apontamos um reparo: com a Inijovem a promover iniciativa idêntica com poucos dias de intervalo, seria salutar que as duas organizações reunissem e programassem estes passeios com maior distância de tempo, entre eles. Cremos que todos beneficiariam com o facto.
Apoiaram este 1º Passeio dos Bombeiros Voluntários de Nisa, diversas firmas comerciais de Nisa, Bombeiros Voluntários, Juntas de Freguesia do Espírito Santo e de Nossa Senhora da Graça, Câmara Municipal de Nisa e Sport Nisa e Benfica.
Blog do "Jornal de Nisa" - 8/12/07
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Idosos de Arez visitaram Fluviário de Mora
Cerca de 30 utentes do Lar da Santa Casa da Misericórdia de Arez visitaram na passada quarta-feira, dia 12, o Fluviário de Mora. Foi um passeio muito divertido e aproveitado pelos idosos, dirigentes e alguns funcionários da Misericórdia para ficarem a conhecer um pouco mais da região alentejana e desta infra-estrutura, única a nível europeu, dedicada aos recursos hídricos e piscícolas. O passeio foi proporcionado pela Santa Casa da Misericórdia de Arez, com o apoio da Câmara Municipal de Nisa que cedeu o autocarro.
Blog do "Jornal de Nisa - 13.9.07

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

JORNAL DE NISA: Modus Vivendi - JN nº 230

No início dos anos 70, faltava material adequado e instalações condignas aos Bombeiros de Nisa. Mas, germinava, já, a mensagem do voluntariado e da acção solidária dirigida, sobretudo, aos jovens.

- Modus Vivendi - in "Jornal de Nisa" nº 230

sábado, 28 de dezembro de 2013

DO ALTO DO TALEFE : O meu menino é de ouro

Ó meu menino da rua
Só, com uma chave na mão:
Quem é que brinca contigo?
Quem é que pede perdão?
O meu menino é de ouro. Pai, mãe, avó ou avô para cada um o seu menino é de ouro.
Quando nasce, aquele choro lindo, aquele sorriso lindo.
Quando gatinha, que lindo é. Quando palra, que lindo é o menino.
Quando faz tem-tem, e dá os primeiros passos que lindo é o menino.
E o menino cresce. Vai à escola o nosso menino, que lindo é o menino.
Que emoções desperta, na mãe que o adora, no pai que nele se revê, na avó e no avô que choram só de olhar para o seu menino.
Quando for grande o nosso menino vai ser... porque o nosso menino é de ouro.
Que emoções desperta o menino adolescente, que até há quem dele se apaixone.
Desperta emoções o menino. Mas, e as suas emoções?
O menino, os nossos meninos têm emoções, e crescem com elas, e constroem-se com elas.
As suas emoções surgem em cada instante, no contacto com os familiares e com o mundo que o rodeia. Mundo que começa por ser o berço e o colo da sua mãe, mas que rapidamente se alarga a um espaço muito para além da casa, da rua, da vila, da cidade.
Porque gosto disto ou daquilo? Porque me sensibilizo a ver isto? Porque me irrito ao presenciar aquilo? Porque me culpabilizo? Emoções, não se aprendem na escola. Mas quando reagimos desta ou daquele maneira, são as emoções que nos comandam.
Quando os meninos crescem e se tornam homens e mulheres, lá continuam as emoções a surgirem e a mostrarem-se em atitudes sensíveis ou insensíveis muitas vezes não controladas pelo lado racional, socializado pela vida em colectivo.
O nosso menino é de ouro mas vive num mundo de lata, que lhe desperta as mais desencontradas emoções.
A lata que nos dá a informação do mundo, mostra-nos diariamente cenas de guerra depois de discursos falando de paz e bem-estar.
A lata que nos mostra o mundo diz-nos que a vida colectiva deve ser solidária. Mas mostra-nos que a sociedade que vende em supermercados latas de comida para cães e gatos é a mesma sociedade que convive com gente que morre de fome e doença.
As latas que nos mostram o mundo, dizem-nos que milhões de meninos e de homens que não puderam ser meninos vivem do lixo, ao mesmo tempo que outros milhares correm para estádios para aplaudir méis dúzia de homens ou mulheres que fazendo algumas habilidades ganham fortunas.
As latas que nos mostram o mundo, exibem despudoradamente o lado feio da vida dos meninos de ouro sem nada, ao mesmo tempo que mostra o lado bonito de outros meninos de ouro com tudo.
As latas que nos mostram o mundo, apresentam concurso em que a ignorância é recompensada com carros, ouro e milhares de contos e depois informa que quem estudou está desempregado.
As latas que mostram o mundo, exibem festas de gente habilidosa que engana, trapaceia, ludibria e enriquece e a seguir mostra-nos bairros desgraçados com meninos a brincar em esgotos.
As latas que nos mostram o mundo, mostram alarvemente carnes apetitosas de mulheres, depois das moscas pousadas nos lábios de meninos a morrerem à fome e antes de cenas de matanças de homens esventrados e decepados.
As latas que mostram o mundo, mostram tudo isto à hora das refeições. Com a família reunida. Com os nossos meninos de ouro à mesa.
Que emoções despertam?
Todos nós temos ou tivemos os nossos meninos de ouro, que cresceram com as suas emoções.
Uns aprendem a conviver com as emoções, outros não.
E, quando alguns meninos não racionalizam as suas emoções e se tornam uma ameaça para a sociedade, lá estão as latas que mostram o mundo a fazer discursos sobre o porquê, depois de uns anúncios de detergentes e antes de um filme violento com direito a bola vermelha no canto superior direito.
Os nossos meninos de ouro têm emoções e nós também.
Saibamos viver com elas na sociedade que, para o bem e para o mal, vamos construindo.
Zé de Nisa – Jornal de Nisa – nº 73 – 20 Dez. 2000

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

MEMÓRIA DO JORNAL DE NISA: Filho(s) de um Deus menor


Na edição de 15 de Abril de 1998, na secção Canto do Saco, o texto "Filho(s) de um Deus menor", denunciava uma situação social de extrema gravidade: o abandono a que fora votado um jovem com deficiência mental.
O problema foi, momentâneamente, solucionado, mas tempos depois, o drama repetiu-se, agora com maior intensidade. O Bernardo, que não é Bernardo, mas um nome em forma e dignidade de gente e pessoa humana, vive uma situação de completo e vergonhoso abandono por parte das entidades que superintendem na esfera social.
Anda pela vila, ao deus dará, alimentado-se como calha e dormindo (conseguirá, mesmo, dormir?) numa casa no centro histórico, que ameaça derruir a cada dia que passa e onde a chuva, o vento e o frio entram pelas gigantescas frestas que o estado de degradação do edifício, amplia, a cada instante.
O Bernardo, que não é Bernardo, mas um pessoa com nome e com direito à dignidade, não tem voz própria, nem consegue exteriorizar, racionalmente, a onda de revolta e indignação que lhe vai na alma.
Se assim não fosse, outro galo cantaria e as entidades com responsabilidades sociais na vila há muito que tinham sido obrigadas a olhar para o problema com o respeito e a urgência que o mesmo merece.
O Bernardo, se calhar, nem vota. Não tem o discernimento necessário para reclamar das entidades públicas, municipais e regionais, o apoio médico, social e humanitário a que, como cidadão, tem direito.
O Bernardo - com este ou outro nome - não é "Filho de um Deus menor" e aqui ou noutros locais, procuraremos que lhe seja prestada a assistência de que carece.
Mário Mendes