quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

MEMÓRIA DO JN - Exposição sobre os 10 anos do jornal

É verdade. Completámos 10 anos de existência no passado mês de Janeiro (1998 - 2008). Dez anos de vida e quase 250 edições do jornal.
Estamos a assinalar a efeméride com uma exposição patente ao público na Biblioteca Municipal de Nisa e a que demos o nome de "Rostos das Corte das Areias".
São mais de 50 fotos, escolhidas sem grande critério e que representam uma pequena parcela do acervo fotográfico obtido nestes 10 anos de vida do Jornal de Nisa.
Deixamos o convite: passe pela Biblioteca Municipal e visite a exposição.
Janeiro de 2008

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

OPINIÃO: O Jornal da Câmara e da ADN

Queria apenas partilhar consigo a minha opinião acerca de um assunto que vi hoje num artigo seu acerca do Jornal de Nisa, que como diz e muito bem neste artigo que escreveu, não passa de um Jornal da ADN. No último fim de semana, estive em Nisa e tive oportunidade de ler o dito jornal e fiquei simplesmente abismado com essa publicação, é realmente muito triste que o Jornal de Nisa, tenha perdido completamente as directrizes e os valores que o caracterizavam, porque o que constatei foi que este jornal serve pura e simplesmente para auto promoção da própria Câmara ou ADN, e seus múltiplos projectos em execução. Nesta última edição que tive oportunidade de ler, ainda fiquei mais triste quando vi um suplemento especial destinado a mais um novo projecto desta Associação que tem por nome Géneros e que se assume como primeira iniciativa do concelho na campo da igualdade de Géneros e Oportunidades, e achei realmente ridículo esta associação fazer um relato deste tipo quando esta própria associação e seus membros foram parceiros da Santa Casa no desenvolvimento do Projecto Entre Iguais, que este sim foi o primeiro na luta pela igualdade de Género no concelho, será que estas pessoas têm memória curta? É realmente frustante ver assim o meu trabalho e das minha colegas ser esquecido tão rápidamente e ver pessoas a vangloriar-se por feitos que não lhes pertencem. Mas desabafos á parte queria apenas manifestar a minha concordância com a sua opinião, acerca desta intitulado era do Jornal de Nisa, onde as pessoas de Nisa deixaram de ter direito à neutralidade necessária para manifestarem a sua opinião e a Câmara passou a ter um Boletim Municipal de grande destaque.
Com os melhores cumprimentos,

Leitor devidamente identificado - 4/8/2009

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Cartas que chegam, testemunhos que nos sensibilizam...

Agora que apareceu por aí uma "coisa" com o mesmo nome e feito por alguns funcionários da Câmara de Nisa ( é ano de eleições autárquicas e faz falta a propaganda para conseguir uma "maioria" que possa garantir mais 4 anos de emprego a quem o não tem...) fomos descobrir algumas mensagens que nos enviaram, a propósito do encerramento do Jornal de Nisa, em Outubro de 2008. Aqui as iremos dando a conhecer, para sossegar alguns espíritos sobre a natureza do jornal que teve uma existência de quase 11 anos ao longo de 265 edições e que alguns "filhos da terra e do sistema implantado" reputaram de "conflituosa" e de "culto da personalidade". Sobre um e outro conceito - ambos perfilhados pelo "aparatchik" que domina o poder local - também iremos dar alguns preciosos contributos, lembrando o exemplo e pondo em destaque, o que sobre os mesmos pensava o líder comunista, Álvaro Cunhal.
Primeira Carta (Paço de Arcos 12/12/2008)
Exmo Senhor Mário Mendes
Digº Director do Jornal de Nisa
Foi com pesar que soube do encerramento do Jornal de Nisa. Penso que ele contribuiu para alguma dinâmica do concelho: levantou questões e tratou assuntos com dignidade e abertura. Julgo que procurou ser objectivo.
Nem sempre concordei com tudo. Algumas vezes escrevi a discordar, ou de temas, ou da maneira como eram tratados no jornal.
Acho o resultado muito positivo.
Venho, pois, manifestar-lhe a minha solidariedade, neste momento que presumo difícil. Não o fiz há mais tempo por várias razões: a minha ausência provocou desconhecimento da situação e depois houve algum tempo que não li o jornal.
Desejo-lhe muitas felicidades para o futuro.
Com os meus cumprimentos,
Maria Augusta P F. Basso

OPINIÃO: Por morrer uma andorinha...

Jornal de Nisa – n.º 265
Com a publicação deste número - 265 - o Jornal de Nisa, sob a direcção do seu fundador – Mário Mendes –, após uma caminhada de aproximadamente 11 anos (completá-los-ia em Janeiro) chega ao fim, ao fim das suas edições; continuará, contudo, como referência, e a História do concelho de Nisa será escrita, forçosamente, com o apoio das suas páginas.
A história do Jornal, ainda que a quente, já começou. Já se fala do passado e do vazio no futuro. Alguns já dizem que irão sentir a falta de notícias, de um dos elos de ligação ao torrão natal. Outros, aqueles que não gostam de ver divulgadas as suas faltas, os seus pecados, já se regozijam. Regozijam-se os políticos, os políticos detentores do poder e da comunicação escrita. Dizem, por aí, que tudo ficará a uma só voz (mas a propósito de voz, aqui para nós, para vós e para os avós, em Nisa não há oposição!?).
Pela nossa parte, em termos de escrita nossa, ficam, deste modo, sem continuidade, incompletas, portanto, as Página(s) da nossa História e Para as Página(s) da nossa História, e outros trabalhos de investigação, que estavam em perspectiva de serem divulgados, restam, mau grado, acomodados na gaveta. Permanece sem continuidade o texto ficcionado sobre o urânio, que, sem título e sem indicação do autor, tornámos público pelo Natal de 2007 (Jornal de Nisa, 19 de Dezembro de 2007, pág. IX). Fica por analisar criticamente o atentado ao património (mais um) que é a aberração de escadas – tipo jogo da glória -, que circundam a torre e pano de muralha, e a miscelânea de ruína provocada, de recuperação e de modernice, que, aliás, está na moda, à Porta de Montalvão (Nisa).
Pela nossa parte, para finalizar, fica o agradecimento público ao director do Jornal de Nisa, que, logo no primeiro número, nos convidou a colaborar, colaboração que, entre outros assuntos de natureza vária não sujeitos a tema nem a numeração, se salda, em jeito de balanço, na publicação de 109 (108 numeradas, mais uma não numerada, a inicial) Página(s) da nossa História e de 6 Para as Página(s) da nossa História.
José Dinis Murta / 19 Out. 2008

domingo, 12 de janeiro de 2014

OPINIÃO: Cá na terra havia um jornal.

Coisa escorreita e despretensiosa, formato comedido e espessura a condizer, um jornal como deve ser, para mim, que estou ainda com uma mão no século passado, folheando papel, e outra no século presente, portátil à frente.
Por ali se iam contando as novidades do Concelho e arrabaldes, nos chegavam alegrias e mágoas de Nisenses na diáspora, nos eram oferecidos artigos de opinião sobre tudo e mais alguma coisa, colunas sobre a nossa história e património, a inevitável necrologia, assunto grave e circunspecto, entremeado de bodas de ouro e festas de artilheiros, que a vida são dois dias mas o Carnaval são três.
Sei eu, os meus botões e algum infortunado ouvinte ocasional, quantas vezes discordei da linha editorial do jornal.
Mas uma sempre lhe reconheci várias coisas: um constante pôr o dedo na ferida, e para continuar nos provérbios, a frontalidade de sempre chamar os bois pelos nomes, bem como uma convincente honestidade intelectual e uma invejável pluralidade.
Continuo a achar, se calhar e nos tempos que correm, um pouco contracorrente, que o desenvolvimento de um povo é directamente proporcional ao seu nível cultural. Tenho também para mim que a existência e a leitura de jornais são um bom índice de medida desse nível.
 Desconheço porque motivo ou motivos o toque a finados soou para o "Jornal de Nisa". Não sei se vinha já padecendo de doença crónica ou se foi de morte súbita, nem sequer o pude carpir em velório a preceito, só soube da sua sepultura em campa rasa.
Estou hoje mais pobre, este concelho está hoje mais pobre. Subsiste uma versão "online", que me sabe a hamburguer de plástico, fraco substituto do suculento bife a que me habituei.
Porque me faz falta o MEU jornal, nem que seja apenas para criticar as opiniões director!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

MEMÓRIA DO JN - Os Postais do Concelho (I)

Presença obrigatória quase desde o primeiro número do "Jornal de Nisa", os Postais do Concelho foram um caso de popularidade. Uma foto, a princípio de elementos do nosso património monumental e paisagístico, mais tarde de pessoas e acontecimentos, certo é que os Postais do Concelho despertavam interesse e curiosidade. Por aqui irão "desfilar" muitos desses Postais, sem pretensão de ordem cronológica e temporal. 
A foto diz tudo. A festa, alegria, a celebração pela conquista do título de campeão nacional de futebol. Este ano o país "vestiu-se" de vermelho e Nisa não foi excepção. Tudo decorreu em ambiente de franco desportivismo. Hoje ganham uns, amanhã, outros. O desporto só o é verdadeiramente quando dirigentes, atletas e adeptos se respeitam. A festa aconteceu e tomou conta das ruas. Foi bonito de ver.
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 "Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia." - Vinícius de Moraes
Caia bem esta parede
Dá-lhe mais uma demão
Tem cuidado não caia
Alguma pinga no chão
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A rua já não tem ferro nem ferreiros: fugiu-lhe a vida, o colorido das flores, a brancura das casas.
Resta-lhe o nome e a memória assente na calçada de granito. As pessoas que ali nasceram e viveram também partiram, cumprido que foi o seu percurso terreno.
Ruas de Nisa, espaços de memórias e afectos que o tempo vai corroendo. Inexoravelmente...
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Num banco do jardim público, ainda sem as obras "requalificadoras", os dois irmãos olham o fotógrafo, com a tranquilidade de quem enfrentou os desafios de toda uma vida.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

MEMÓRIA(S): Notícias, curiosidades, opiniões

De Janeiro de 1998 a Outubro de 2008, o "Jornal de Nisa" publicou milhares de textos, uns noticiosos, outros de opinião, muitos outros ainda sobre histórias e memórias do concelho.
São algumas dessas Memórias que aqui iremos recordar.

 Uma abóbora gigante em Amieira do Tejo, era notícia na edição de 4 de Março de 1998 do Jornal de Nisa e fazia as "delícias" do nosso colaborador, Jorge Pires.
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 OPINIÃO: Temas e problemas
A Humanização dos Serviços de Saúde, ou a Falta Dela (21/8/07)
- David José Nunes Esteves *
Frente ao acelerado processo de desenvolvimento tecnológico na área da Saúde, a singularidade do doente – sentimentos, crenças e valores – ficou para segundo plano. A doença passou então a ser objecto do saber reconhecido cientificamente e a assistência médica muitas vezes tem vindo a desumanizar-se.
Por outro lado, é importante referir que muitos dos problemas dos doentes podem ser resolvidos ou atenuados, quando se sentem compreendidos e respeitados pelos profissionais. A falta de acolhimento e de continência no que respeita a aspectos emocionais, pode conduzir ao abandono ou à rejeição do tratamento e favorecer a busca de caminhos sociais alternativos, que ofereçam maior receptividade e compreensão. A relação profissional-doente tem especial importância no processo de adesão ao tratamento.
A Humanização dos Serviços de Saúde é um processo amplo e complexo, ao qual se oferecem resistências, pois envolve mudanças de comportamento, que sempre despertam receio e medo. A Humanização, ou a falta dela, nas relações dos Serviços de Saúde passa, de facto, também, pela questão do mau estado das instalações e obsolescência de alguns equipamentos.
Contudo, apesar de o nosso Centro de Saúde de Nisa estar sedeado num edifício antigo, a falta de condições não se coloca. Para isso, muito contribuiu o trabalho desenvolvido pela Liga dos Amigos do Centro de Saúde de Nisa. Mas, será que valeu mesmo a pena este trabalho todo quando se fala no fecho do internamento e da construção de um novo Centro de Saúde? Certamente que todo esse esforço não foi em vão e muita gente já beneficiou e continua a beneficiar com o que a Liga dos Amigos do Centro de Saúde já fez pela nossa comunidade e por a humanização dos serviços de saúde.
Uma relação humanizada engloba, sem qualquer dúvida, um conjunto de componentes que vão desde a acessibilidade, ao atendimento humano, às condições físicas dos espaços onde se aguarda e se é atendido, aos equipamentos, ao acesso a todos os meios disponíveis, etc. Uma verdadeira humanização dos serviços de saúde passa por um atendimento permanente que não se coloca dentro de horário de uma autarquia, de uma repartição de finanças ou até mesmo de um cartório. Mas neste caso, a “humanização” tinha que partir de quem “tem o poder”, de quem é eleito para nos representar e da própria sociedade civil, que no que respeita à “luta por direitos” tem deixado muito a desejar.
A Humanização dos Serviços de Saúde passa também pela criação de um “clima facilitador” de relações. Estou a referir-me concretamente à criação de boas condições de trabalho a todos os que dentro dos serviços de saúde exercem a sua actividade. Também aqui, a situação não parece simples. Não basta melhorar os equipamentos ou fazê-los surgir, é necessário implementar uma nova política de conduta que combata os hábitos enraizados e que, em muitos casos, são verdadeiros entraves às mudanças. Mas parece-se que isto terá de ser feito de uma forma inclusiva e não hostil, terá de ser dinamizado por pessoas que reconhecidamente têm capacidade para o fazer. Não me parece de todo que isso esteja a ser conseguido por todo o nosso país.
Haverá sem dúvida muito profissionais na área da saúde com um comportamento ético duvidoso, há gente assim em todas as áreas profissionais. Há também influencias culturais, nomeadamente, a alteração de valores a que todos estamos sujeitos e às quais ninguém é imune. A valorização das aparências e dos bens materiais em detrimento de mais relacionados com as nossas necessidades básicas, enquanto seres humanos atravessam toda a nossa sociedade, não é exclusivamente dos profissionais da área da saúde e assume a sua principal expressão na privatização dos sistemas de solidariedade social.
Em jeito de conclusão, apraz-me dizer que é necessário dar as mãos. As Unidades de Saúde e Instituições Particulares de Solidariedade Social que têm actuado na área da saúde devem ser capazes de assumir compromissos e de serem ao mesmo tempo actuais e inovadoras, colocando sempre o doente em primeiro lugar. É urgente melhorar a qualidade e a eficácia da atenção dispensada aos doentes; recuperar a imagem das unidades de saúde junto da comunidade; capacitar os profissionais da área da saúde para um conceito de atenção à saúde, baseado na valorização da vida humana e da cidadania; conceber e implantar novas iniciativas de humanização beneficiando tantos os doentes como os profissionais de saúde; estimular a realização de parcerias e trocas de conhecimentos; e desenvolver um conjunto de indicadores de resultados e sistemas de incentivos ao tratamento humanizado.
* Finalista do Curso de Serviço Social
Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa
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Passeio TT dos Bombeiros de Nisa
UM ÊXITO EM TODA A LINHA
Constituiu um assinalável êxito, o 1º Passeio TT, destinado a motos e moto 4, organizado pela secção desportiva dos Bombeiros Voluntários de Nisa e que decorreu no passado dia 2, sábado.


A animação começou bem cedo junto ao local de concentração, no pavilhão da Junta de Freguesia do Espírito Santo. Foi aqui que os cerca de 50 participantes, tomaram o pequeno-almoço e ouviram os responsáveis pela organização que traçaram os objectivos para este primeiro passeio e fizeram as recomendações da ordem para que tudo corresse pelo melhor.
E, efectivamente, assim sucedeu, os amantes de todo o terreno, tiveram um dia e paisagens magníficas para percorrerem os principais trilhos do concelho, conhecer gentes e lugares, conviver, saborear a típica gastronomia norte-alentejana, num ambiente de camaradagem que apraz registar.Após o passeio teve lugar o almoço convívio, com comes e bebes, animação que se prolongou pela tarde fora.
Foi, pois, uma iniciativa merecedora dos maiores encómios, a justificar outras edições. Apenas apontamos um reparo: com a Inijovem a promover iniciativa idêntica com poucos dias de intervalo, seria salutar que as duas organizações reunissem e programassem estes passeios com maior distância de tempo, entre eles. Cremos que todos beneficiariam com o facto.
Apoiaram este 1º Passeio dos Bombeiros Voluntários de Nisa, diversas firmas comerciais de Nisa, Bombeiros Voluntários, Juntas de Freguesia do Espírito Santo e de Nossa Senhora da Graça, Câmara Municipal de Nisa e Sport Nisa e Benfica.
Blog do "Jornal de Nisa" - 8/12/07
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Idosos de Arez visitaram Fluviário de Mora
Cerca de 30 utentes do Lar da Santa Casa da Misericórdia de Arez visitaram na passada quarta-feira, dia 12, o Fluviário de Mora. Foi um passeio muito divertido e aproveitado pelos idosos, dirigentes e alguns funcionários da Misericórdia para ficarem a conhecer um pouco mais da região alentejana e desta infra-estrutura, única a nível europeu, dedicada aos recursos hídricos e piscícolas. O passeio foi proporcionado pela Santa Casa da Misericórdia de Arez, com o apoio da Câmara Municipal de Nisa que cedeu o autocarro.
Blog do "Jornal de Nisa - 13.9.07

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

JORNAL DE NISA: Modus Vivendi - JN nº 230

No início dos anos 70, faltava material adequado e instalações condignas aos Bombeiros de Nisa. Mas, germinava, já, a mensagem do voluntariado e da acção solidária dirigida, sobretudo, aos jovens.

- Modus Vivendi - in "Jornal de Nisa" nº 230

sábado, 28 de dezembro de 2013

DO ALTO DO TALEFE : O meu menino é de ouro

Ó meu menino da rua
Só, com uma chave na mão:
Quem é que brinca contigo?
Quem é que pede perdão?
O meu menino é de ouro. Pai, mãe, avó ou avô para cada um o seu menino é de ouro.
Quando nasce, aquele choro lindo, aquele sorriso lindo.
Quando gatinha, que lindo é. Quando palra, que lindo é o menino.
Quando faz tem-tem, e dá os primeiros passos que lindo é o menino.
E o menino cresce. Vai à escola o nosso menino, que lindo é o menino.
Que emoções desperta, na mãe que o adora, no pai que nele se revê, na avó e no avô que choram só de olhar para o seu menino.
Quando for grande o nosso menino vai ser... porque o nosso menino é de ouro.
Que emoções desperta o menino adolescente, que até há quem dele se apaixone.
Desperta emoções o menino. Mas, e as suas emoções?
O menino, os nossos meninos têm emoções, e crescem com elas, e constroem-se com elas.
As suas emoções surgem em cada instante, no contacto com os familiares e com o mundo que o rodeia. Mundo que começa por ser o berço e o colo da sua mãe, mas que rapidamente se alarga a um espaço muito para além da casa, da rua, da vila, da cidade.
Porque gosto disto ou daquilo? Porque me sensibilizo a ver isto? Porque me irrito ao presenciar aquilo? Porque me culpabilizo? Emoções, não se aprendem na escola. Mas quando reagimos desta ou daquele maneira, são as emoções que nos comandam.
Quando os meninos crescem e se tornam homens e mulheres, lá continuam as emoções a surgirem e a mostrarem-se em atitudes sensíveis ou insensíveis muitas vezes não controladas pelo lado racional, socializado pela vida em colectivo.
O nosso menino é de ouro mas vive num mundo de lata, que lhe desperta as mais desencontradas emoções.
A lata que nos dá a informação do mundo, mostra-nos diariamente cenas de guerra depois de discursos falando de paz e bem-estar.
A lata que nos mostra o mundo diz-nos que a vida colectiva deve ser solidária. Mas mostra-nos que a sociedade que vende em supermercados latas de comida para cães e gatos é a mesma sociedade que convive com gente que morre de fome e doença.
As latas que nos mostram o mundo, dizem-nos que milhões de meninos e de homens que não puderam ser meninos vivem do lixo, ao mesmo tempo que outros milhares correm para estádios para aplaudir méis dúzia de homens ou mulheres que fazendo algumas habilidades ganham fortunas.
As latas que nos mostram o mundo, exibem despudoradamente o lado feio da vida dos meninos de ouro sem nada, ao mesmo tempo que mostra o lado bonito de outros meninos de ouro com tudo.
As latas que nos mostram o mundo, apresentam concurso em que a ignorância é recompensada com carros, ouro e milhares de contos e depois informa que quem estudou está desempregado.
As latas que mostram o mundo, exibem festas de gente habilidosa que engana, trapaceia, ludibria e enriquece e a seguir mostra-nos bairros desgraçados com meninos a brincar em esgotos.
As latas que nos mostram o mundo, mostram alarvemente carnes apetitosas de mulheres, depois das moscas pousadas nos lábios de meninos a morrerem à fome e antes de cenas de matanças de homens esventrados e decepados.
As latas que mostram o mundo, mostram tudo isto à hora das refeições. Com a família reunida. Com os nossos meninos de ouro à mesa.
Que emoções despertam?
Todos nós temos ou tivemos os nossos meninos de ouro, que cresceram com as suas emoções.
Uns aprendem a conviver com as emoções, outros não.
E, quando alguns meninos não racionalizam as suas emoções e se tornam uma ameaça para a sociedade, lá estão as latas que mostram o mundo a fazer discursos sobre o porquê, depois de uns anúncios de detergentes e antes de um filme violento com direito a bola vermelha no canto superior direito.
Os nossos meninos de ouro têm emoções e nós também.
Saibamos viver com elas na sociedade que, para o bem e para o mal, vamos construindo.
Zé de Nisa – Jornal de Nisa – nº 73 – 20 Dez. 2000

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

PONTÁ BITÉFES: Uma subscrição para o Menir do Patalou

Primeiro, não se sabia quem eram os donos do terreno. Depois, os contactos eram difíceis e complexos, do tamanho da montanha erguida pelos burocratas da Praça do Pelourinho. Por iniciativa privada, vieram os proprietários, derrubaram-se as barreiras, desimpediram-se os burocráticos argumentos e pensou-se: É desta!
Qual quê. A maioria camarária que enxameia os discursos de “cultura” e de “património” diz não ter, agora, dinheiro para levantar o Menir, como se a tarefa ficasse tão dispendiosa como uma visita das “tias”.
O Patalou fica lá para “cascos de rolha” e uma pedra, mesmo gigante, está muito melhor deitada, dormindo a sono solto, tal como está há milhares de anos. Por que é que querem, afinal, levantar a pedra? Não estará melhor no sítio onde está? Sossegada e sem chatear ninguém? Já viram o investimento que temos de fazer nas Termas, ou na Zona Industrial? Não repararam, ainda, nos postos de trabalho que temos criado? E no combate à desertificação do concelho?
Uma pedra... Ainda se fosse um edifício de dez andares, uma rotunda, ou um monumento aos emigrantes...
Deixem-se disso e pensem mas é no progresso do concelho!

in "Jornal de Nisa" - 241 - 17/10/2007

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

OPINIÃO: Exploração de Urânio no concelho de Nisa

A QUEM APROVEITA?
O urânio nos últimos anos atingiu preços astronómicos. Esta situação deve-se à selagem de várias explorações que havia em países onde predominavam ditaduras e que hoje vivem em democracia.
Antes, as pessoas (mineiros) tinham de trabalhar nessas explorações porque eram obrigados pelo regime a caminhar para a morte prematura, pois que a sua duração de vida, normalmente, não ultrapassava os 40 anos e alguns destes anos de vida já eram de sofrimento, mas a sua recusa também tinha problemas e muitas vezes a vida ainda era mais abreviada. Todos sabemos que era assim...
Felizmente, para muitos destes povos, a situação é hoje muito diferente, porque os novos dirigentes acabaram com a exploração deste maldito minério, que é o pior que existe no planeta Terra, pois até no seu estado natural mata, porque é radioactivo.
Depois, em todas as suas aplicações, continua a matar, em centrais, bombas e submarinos nucleares, etc., etc. e ainda com a agravante de não se saber como guardar todos estes detritos, sobre os quais ninguém sabe o seu “comportamento”, nem a duração do perigo que representam e que se estima em centenas ou milhares de anos.
Há, no entanto, pessoas para quem só o dinheiro conta, não olhando a meios para conseguir os seus fins.
Esta espécie humana, que hoje em dia aparece em várias actividades, são pessoas mentalmente afectadas, porque só o dinheiro fácil os preocupa, sem saber que eles próprios e seus familiares, um dia poderão ser afectados pelo seu péssimo procedimento.
Não vamos permitir que esta espécie humana venha destruir o concelho de Nisa, pois temos exemplos concretos dos males provocados pelo urânio em todo o mundo.
De facto, não precisamos de ir lá fora em busca de exemplos, pois temo-los em Portugal, na Urgeiriça, onde houve exploração e urânio, que nos mostra com total clareza os seus efeitos.
Ali havia vida e alegria, hoje há angústia e sofrimento.
É um local já com grande dimensão aonde não é possível viver em segurança, nem novos nem idosos, as crianças que aparecem com doenças cancerígenas e também os idosos. Não há vida aquática, devido à contaminação das águas e a vegetação de todo o tipo, até as árvores, vão morrendo, numa morte originada pelas poeiras radioactivas, provenientes da exploração que o homem ali provocou.
O gás radioactivo chamada radão é altamente perigoso e segundo os entendidos, desloca-se com o vento aumentando, cada vez mais, a sua área de perigo.
Tudo isto é provocado pela ganância de alguns humanos, sempre o dinheiro fácil, mesmo que estejam em perigo milhares de vidas humanas.
Será isto que queremos para o concelho de Nisa? Provavelmente, não!
Eu pergunto: quando se fala no desenvolvimento do concelho, com alguma pompa, para que servirá o edifício das Termas, já de si exagerado, que está quase concluído?
Eu direi: para nada, pois a cerca de 400 metros está um filão do maldito minério.
As poucas explorações de lavoura que existem, mais algumas em fase de desenvolvimento, o famoso Queijo de Nisa, os enchidos, o desenvolvimento da Zona Industrial, para que servirá tudo isto?
Se a exploração do urânio for por diante, eu direi: para nada. Porque 15 ou 17 anos depois tudo estará a morrer, desertificado, sem interesse, levando as pessoas a procurar outros sítios, como está a acontecer na Urgeiriça. (Para maior esclarecimento veja-se o filme que passou na SIC em 16/9/07 sobre a referida localidade e os problemas das poucas pessoas que ainda lá vivem).
Se não é isto que queremos para o nosso concelho, aonde estão os representantes do povo? Que têm feito para esclarecer as pessoas sobre os perigos que as esperam?
Têm o dever de informar, com verdade, a população de todo o concelho e informar os nossos governantes de que não iremos consentir tal exploração.
É preciso criar postos de trabalho, mas não desta maneira, isto não traz benefícios para Nisa, traz, sim, miséria, doença e desertificação.
Creio que o senhor primeiro-ministro, Engº José Sócrates, que é uma pessoa competentíssima, com grande capacidade de análise e justiça, não irá consentir que tal exploração vá por diante.
Mas é preciso alertar as pessoas atempadamente, para não depararmos com factos consumados e são os eleitos do povo, pagos com os nossos impostos, que têm o dever de lutar para sanar de vez o problema.
Não podem ficar de braços cruzados e sem nada fazer, esperando apenas pelos acontecimentos que, a serem concretizados, serão fatais para o concelho.
Joaquim Costa - in "Jornal de Nisa" - nº 243 - 14/11/2007

MEMÓRIA DO JN: Uma fresta no Boqueirão (I)

Autárquicas à vista: vê-se a parra. Mas a uva?
Fez muito bem este jornal, garantindo a sua inequívoca divisa de génese, como independente, em descortinar desde já as vontades postas ao serviço das forças vivas dos partidos, as quais parecem hesitantes para levar esta Nisa do séc. XXI a caminho do Desenvolvimento que tem sido letra morta e onde, curiosamente, já comungaram todas as bandeiras partidárias, incluindo rostos.
Pela nossa parte, cremos que, venha quem vier dos rostos repetentes ou passadistas a pegar no nobre pendão da Câmara, mais não se adiantará do que ficar no rol do papel prometedor, mormente essa vaga de projectos até agora inconcretizáveis no âmbito da Economia concelhia – que é o “bico d´ obra” fatalista que Nisa tem sido desde há décadas, repletas de palavrosos marasmos.
E, se Nisa tem potencialidades! Oh, se tem!
Ninguém as vê?! Agarre-se pelo menos, numa delas, e caminhe-se para a concretização plena. Agora, projectos ambiciosos, cujos “edifícios” se começam pelo telhado, como aconteceu com a “célebre” Estalagem do Tejo? Ali ficou! Ali está, altaneira e só!
Não é só pensar em “consolidar votos”, em fazer demográcia pela democracia. A verdadeira revolução, ou mesmo reformismo, é Fazer e Fazer Bem, com o verdadeiro norteamento de servir a Todos e não só a alguns, ou sonhar com quimeras de paisagem que nada têm a ver com a transformação da realidade, mas aquela que gera a riqueza e os empregos.
O que pensarão os potenciais candidatos ou quem se perfila parece que à espera certa do surgimento de “andor”, duma economia a sério para o concelho de Nisa, quanto a nós “Barca” demasiado grande para ser concentrada na velha praça do Município, dia após dia, como no tempo em que os lagartos dormiam ao sol e Lisboa era de um outro mundo?
Pareceu-nos ouvir “rufar tambores” em favor de uma estratégia. Porém, quantas estratégias não tem havido, com arrobas de palavras e demasiado egocentrismo vedetista?
Perguntamos, com a devida vénia: Já algum nosso bravo Edil conseguiu atrair o investimento a Nisa, a não ser o caso estrito dos granitos de escoamento garantido?
Onde está o Queijo de Nisa? Onde? A sul de Portalegre e fora da velha Corte das Areias?
Quem se preocupa concretamente com uma verdadeira certificação da marca que detém o nome da notável vila de Nisa, quando o próprio queijo, primeiro que tudo, deveria ser feito numa “fábrica-piloto” e na própria sede do concelho, para dar o exemplo de autêntica produção artesanal, firmemente artesanal.
E a vertente enorme de turismo do Interior, hoje apreciado como o turismo da tranquilidade? Não vamos por ora, falar disto. Na altura própria voltaremos a este tema que tem pano para mangas...
Hoje, uma Autarquia do Interior, como Nisa não pode (ou não deve) viver voltada para si própria. Já se falou em capacidade consequente em oferta de amplas facilidades a quem se propõe fundar empresas e empregos diversificados neste concelho de enorme vínculo territorial?
Já se falou num certo esforço em renovar uma sociedade rural no âmbito do tecido empresarial agrícola, ainda que cooperativista ou não? Já se falou em publicitar vivamente o território concelhio no exterior, exaltando as suas potencialidades naturais, tanto no domínio do lúdico (caça e pesca desportivas), como na produção de bens de variada índole, para quem queira trabalhar e... Desenvolver?
Esta nos parece a verdadeira essência do Neo-Autarquismo que se avizinha, com os desafios inerentes ao final do primeiro lustro de um tempo... em que não se deve perder mais Tempo.
Já chega, caras Senhoras e Senhores da nossa terra!
Carlos Franco Figueiredo in "Jornal de Nisa" - nº172 - 22/12/2004

domingo, 1 de dezembro de 2013

PONTÁ BITÉFES: Memória do Jornal de Nisa

Calçada romana da Srª da Graça, que a insensatez de uns e o desleixo de outros, deixaram arrasar
Qual a Câmara, qual é ela?
“A par da inoperância gestionária da Câmara d. ......... , a sua situação financeira é preocupante, a sua gestão futura está hipotecada, tendo em conta os encargos já assumidos por ............., para os próximos vinte anos; na área da habitação, não foi lançada uma única pedra; a qualidade da água deixa muito a desejar; as “obras pombalinas” duram anos e anos e não se lhes vê o fim; a criação de oportunidades e emprego para os jovens são uma miragem; na chamada “zona industrial” não está instalada uma única empresa que represente criação de novos empregos; alguns trabalhos e ajustes directos, são só para os “amigos”, em vez de resultarem de concursos e procedimentos públicos correctamente divulgados.”
O primeiro leitor a acertar no nome da Câmara, a que se aplique este “naco” de prosa, tem direito ao livro “(A)massa Crítica” da colecção “Lágrimas de Crocodilo”.
Pontá Bitéfes - in "Jornal de Nisa" - nº 233

sábado, 23 de novembro de 2013

JORNAL DE NISA - Edição nº 11 - 17 Junho 1998

A edição nº 11 do Jornal de Nisa saíu a público no dia 17 de Junho de 1998. Com capa a preto e branco e título a vermelho, este número do "Quinzenário regionalista e independente" deu destaque à Feira do Queijo de Nisa e ao falecimento do professor Manuel Temudo Barreto. No interior, José Lopes, um nisense em França era descrito como desportista exemplar, por força dos êxitos no futebol, como praticante e treinador. Diversas notícias do concelho davam conta de algumas obras em execução, das principais deliberações da Câmara, do Convívio dos Amigos do Pé da Serra e do XXI Concurso e Pesca Vila de Nisa.
Luís Pedro Cruz assinava a habitual página Urb(a)Nisa sobre arquitectura e José Dinis Murta compunha um Puzzle sobre a história antiga e recente da vila de Nisa.
A Página da Saúde e artigos sobre os Padres de Nisa e Fragoso de Siqueira, um nisense de "vistas largas", eram outros dos motivos de interesse desta edição, onde não faltava o "Cantinho do Emigrante”.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

MEMÓRIA DO JORNAL DE NISA: Filho(s) de um Deus menor


Na edição de 15 de Abril de 1998, na secção Canto do Saco, o texto "Filho(s) de um Deus menor", denunciava uma situação social de extrema gravidade: o abandono a que fora votado um jovem com deficiência mental.
O problema foi, momentâneamente, solucionado, mas tempos depois, o drama repetiu-se, agora com maior intensidade. O Bernardo, que não é Bernardo, mas um nome em forma e dignidade de gente e pessoa humana, vive uma situação de completo e vergonhoso abandono por parte das entidades que superintendem na esfera social.
Anda pela vila, ao deus dará, alimentado-se como calha e dormindo (conseguirá, mesmo, dormir?) numa casa no centro histórico, que ameaça derruir a cada dia que passa e onde a chuva, o vento e o frio entram pelas gigantescas frestas que o estado de degradação do edifício, amplia, a cada instante.
O Bernardo, que não é Bernardo, mas um pessoa com nome e com direito à dignidade, não tem voz própria, nem consegue exteriorizar, racionalmente, a onda de revolta e indignação que lhe vai na alma.
Se assim não fosse, outro galo cantaria e as entidades com responsabilidades sociais na vila há muito que tinham sido obrigadas a olhar para o problema com o respeito e a urgência que o mesmo merece.
O Bernardo, se calhar, nem vota. Não tem o discernimento necessário para reclamar das entidades públicas, municipais e regionais, o apoio médico, social e humanitário a que, como cidadão, tem direito.
O Bernardo - com este ou outro nome - não é "Filho de um Deus menor" e aqui ou noutros locais, procuraremos que lhe seja prestada a assistência de que carece.
Mário Mendes

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Novo nome, o mesmo rumo!

O primeiro número do Jornal de Nisa saiu para a rua no dia 21 de Janeiro de 1998.
A primeira edição, a preto e branco, com o título a grenat, dava conta no Editorial dos fins e do carácter do novo quinzenário.
Na capa, os destaques iam para a primeira reunião do novo elenco camarário, eleito em Dezembro de 1997, para a composição de todos os órgãos autárquicos do concelho e para o espectáculo, memorável, de Carlos do Carmo realizado no dia 9.
No interior, Luís Pedro iniciava a sua colaboração, com uma série de excelentes artigos sobre urbanismo, com uma secção Urb(a)Nisa que começava com as Vilas de Fundação Medieval no Alentejo.
O director, Mário Mendes, abria também as “hostilidades” com uma secção Canto do Saco que, desde o primeiro número, não deixou de incomodar os poderes públicos, denunciando situações e problemas a carecerem de solução. Tal como hoje, acontece, aliás, no jornal que se edita mensalmente, com o mesmo nome...
As notícias locais e regionais, a cultura e o desporto integrava também esta edição inicial do Jornal de Nisa, enquanto na última página demos a conhecer um excelente texto e desenho de Dinis Fragoso sobre os Barros de Nisa, publicado em Junho de 1957 na “Revista Alentejana”.
O Editorial tinha como título “Novo nome, o mesmo rumo” e nele explicávamos ao que vínhamos.
“Às mãos dos leitores chega hoje, com novo título, o quinzenário regionalista e independente que o cidadão comum popularizou com o nome de Jornal de Nisa.
Doravante este será o novo nome do jornal que continuará com voz própria e sem tutelas, seja de que tipo forem, com rigor e isenção a trilhar o caminho iniciado em Abril de 1997 com “Notícias de Nisa”.
A finalizar, apontávamos: O quinzenário regionalista e independente que hoje toma o nome de “Jornal de Nisa” prossegue no mesmo rumo que traçámos, o de dar voz aos nisenses de todo o concelho, apostando, cada vez mais num trabalho de qualidade. Os novos desafios não os tememos.E, porque são desafios vão obrigar-nos a um esforço redobrado, procurando sempre ir ao encontro dos leitores.
Com eles, com os nossos colaboradores e anunciantes, renovamos o compromisso que assumimos.”
DINIZ FRAGOSO: Barros de Nisa
O Alto Alentejo é um retalho de cor viva deste tapete multicolor de Portugal.
Nesta interessante faixa que se desdobra ao sol com as suas casas muito brancas e de grandes chaminés, só quem sofra de anestesia estética não encontra motivos de encanto para os olhos mais ávidos de notas coloridas.
O povo deste torrão alentejano além de trabalhar e com “apego à terra” peculiar em todo o alentejano, é de boa índole e não sei se alguma influência possa ter nele o predomínio da cor branca, reflectida por toda a parte, visto que o branco – como diz Mantegazza quando estuda a alma desta cor – não excita os sentidos, não exalta como o vermelho, não nos repousa como o verde, nem nos eleva como o azul...
Neste retalho de Portugal que tem lá ao longe como sentinela vigilante a fortaleza de Marvão, tiveram os Templários, em tempos que já vão longe, um papel importante, principalmente acentuado no distrito de Portalegre.
Não se limitou a acção dos Templários apenas á conquista e defesa dos pontos mais investidos pelos mouros: dela vieram também bastantes benefícios para a lavoura local e pequenas indústrias derivadas, que embora confusas a princípio e sem valor próprio, se nos apresentam hoje em dia com algo de aproveitar.
Assim, a cultura do linho que nesta região foi extensa, originou a indústria de tecelagem em alguns pontos do distrito de Portalegre, dando em Nisa uma especialização – os alinhavados – lavor característico, inconfundível.
Aponto aqui uma outra pequena indústria alentejana que é no entanto uma das mais interessantes e com maior sabor regionalista – a olaria.
A indústria dos oleiros, além de ser uma das mais antigas do Alto Alentejo, é aquela onde a gente do povo manifesta a sua sensibilidade artística, imprimindo aos barros uma originalidade que é de apreciar.
Quem não conhece os barros de Flor da Rosa, Amieira, Estremoz e Nisa? Quantos pintores de arte não se têm prendido com a nota colorida e tão alentejana que dão os barros quando espalhados pelo chão nos mercados e feiras, expostos ao sol do Alentejo?
Pelo lado artístico – entre os oleiros do Alto Alentejo – são os de Nisa os que mais cativam, pela graça com que trabalham o barro, dando-lhe não só uma linha de modelação muito sua e elegante, mas enriquecendo ainda essa modelação com incrustações de pequeninas pedras brancas, formando diversos volumes e flores, que fazem das cantarinhas, alegres e decorativas peças para o lar mais exigente.
Na ornamentação destas cantarinhas, única no género, observa-se sobretudo uma facilidade enorme de trabalho e qualidades belíssimas de assimilação desse género de trabalho, sabendo-se que são geralmente as crianças e mulheres do povo, sem conhecimento algum do desenho, que fazem essas incrustações ornamentais no barro. É curioso ver a rapidez com que estes artistas ignorados do povo riscam no barro ainda mole, as graciosas curvas e ingénuas flores que depois geralmente as raparigas contornam com pedrinhas brancas.
No entanto, esses desenhos, devemos confessá-lo, não têm concepção alguma regional e nem o encanto da ingenuidade possuem, visto que são desenhos tirados aqui e além, alterados cada vez mais em cada reprodução feita. Em todo o trabalho de decoração a base é sempre a mesma – a ideia ornamental. Neste caso da nossa olaria alentejana e, mais particularmente ainda, da olaria nisense, os melhores elementos decorativos, a meu ver, devem procurar-se na própria Natureza.
Sob este ponto de vista não faltam no Alto Alentejo valores decorativos a extrair da própria flora, por si mesma abundante de motivos ornamentais – a espiga do trigo, a folha do carvalho, o ouriço do castanheiro, a bolota, etc – elementos esses susceptíveis de darem lindas estilizações do mais rico efeito de composição. É interessante ver como a silhueta da cantarinha tem a sua semelhança com a linha de contorno da rapariga da região, vestindo as saias rodadas.
Li já impressão idêntica com referência à cantarinha de Coimbra, muito semelhante, também, na linha de contorno, com a silhueta estilizada da tricana.
Decerto, influência de uma imagem que está gravada nos olhos do oleiro, cujas mãos, modelando o barro, reproduzem nele, em estilização, uma figura que lhe baila nos sentidos...
Dinis Fragoso in “Revista Alentejana" – nº 242 – Junho de 1957